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Descobertas científicas na química e curiosos casos históricosCiência & Tecnologia    Imprimir

03/02/2017 23:59
Descobertas científicas na química e curiosos casos históricos
Algumas respostas são dadas no curso 'Descobertas Científicas na Química': Alguns casos históricos

Edgar Digital - Ufba 1 comentrio          

Você gostaria de saber o que é mesmo uma descoberta científica no campo da química? E que tal ter alguma noção sobre curiosas teorias do passado, como a do oxigênio ou a do flogisto? Uma boa oportunidade para isso é oferecida pelo curso Descobertas Científicas na Química: Alguns casos históricos, que, aliás, já começou desde a quarta feira, 1º de fevereiro, no Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia (Ufba), no Auditório Yeda de Andrade, mas ainda segue pelos dias 3, 6, 8 e 10 de fevereiro, sempre das 9h às 11h e aberto a todos os interessados.
 

A responsável pelas aulas é Gisela Boeck, 63 anos, professora do Instituto de Química da Universidade de Rostok, Alemanha, onde atualmente lidera o grupo de trabalho sobre história da Faculdade de Matemática e Ciências Naturais. Em um total de cinco encontros, ela analisa e discute a noção de descoberta científica através de episódios da história da química entre os séculos XVIII e XX.
 
Gisela

 Gisela Boeck: Universidade de Rostock











Ministrado em inglês, promovido no âmbito da disciplina Tópicos de História das Ciências, do Programa de Pós-Graduação em Ensino, Filosofia e História das Ciências, o curso começou a ser esboçado num contato da doutoranda Letícia Pereira com a professora Gisela Boeck, em um congresso internacional de história da química. “O projeto de doutorado de Letícia incide sobre o químico alemão Wilhelm Ostwald, e ela vai fazer o doutorado-sanduíche na Alemanha. Estávamos procurando um historiador da química alemão e a encontramos”, conta Olival Freire, professor do programa. Um convênio estabelecido entre a Ufba e Universidade de Rostock viabilizou a vinda da professora, via um cofinanciamento.
 

Rostock

Universidade de Rostock, Alemanha, fundada em 1419


Na primeira aula, na manhã de quarta-feira, Gisela contou a história da universidade em que ensina, fundada no século XV, e os primeiros passos da teoria do oxigênio e suas precursoras. Rostock tem em sua história grandes nomes das ciências, entre eles o de Paracelso, considerado por muitos um reformador da medicina, fundador da bioquímica e da toxicologia, e aclamado por suas realizações em química.

Outro nome importante, Tycho Brahe, astrônomo que registrou os movimentos de Marte e deu as bases para que Johannes Kepler descobrisse as leis dos movimentos do planeta, teve uma passagem curiosa pela Universidade. A professora conta, entre risos, que Tycho entrou em uma briga violenta com um colega, discutindo sobre quem seria o melhor matemático, e no duelo acabou perdendo parte do nariz, o que o obrigou a usar a famigerada prótese de ouro. Ficou-lhe como uma lembrança de Rostock.

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Tycho Bhahe e sua prótese nasal de ouro: um duelo terminou por lhe custar parte do nariz


Já Albert Einstein, o físico genial que desenvolveu as teorias da relatividade restrita e da relatividade geral, ao lado da mecânica quântica, nunca estudou em Rostock mas foi honrado com o doutorado honoris causa concedido pela universidade. Adiante, durante a Segunda Guerra Mundial, Hitler determinou que todos os judeus perdessem seus títulos acadêmicos, mas a Universidade de Rostock manteve sua decisão e o título de Einstein.

Para além desses grandes nomes, a instituição tem uma história interessante. Fundada pela igreja e pela administração da cidade em 1419, teve que ter a permissão do Papa para o seu funcionamento. Começou com três faculdades, as de medicina, jurisprudência e artes liberais, e só em 1909 permitiu o ingresso de mulheres. A primeira aluna de química ingressou em 1913.

Antes de falar do surgimento da teoria do oxigênio, Gisela tratou das que a precederam e que tentavam explicar o que era a combustão. Robert Hooke e Robert Boyle desenvolveram e aperfeiçoaram a bomba de ar, e esse instrumento levou à conclusão de que o ar atmosférico poderia agir como um agente de transporte para remover impurezas do pulmão, levando-as ao ar externo. Eles acreditavam que o fenômeno que associava raios e trovões era análogo às faíscas e explosões da pólvora, explicando assim a combustão. Outra teoria importante foi a do flogisto, desenvolvida pelo químico alemão George Ernst Stahl. Para ele, os corpos que entram em combustão facilmente possuiriam uma matéria chamada flogisto, que seria liberada durante a combustão e absorvida posteriormente pelas plantas.

O professor Olival Freire, pró-reitor Pesquisa, Criação e Inovação, salientou a importância do evento “Sou pesquisador da história da física, mas queremos estimular também a tradição da história da química na Ufba. Fico muito feliz que os alunos tenham se interessado pelo curso”.

As próximas aulas darão continuidade à teoria do oxigênio, introduzindo Lavosier, discutirão as características principais da tabela periódica e a importância de publicar o que é descoberto, baseando-se nas ideias do químico teórico e ganhador do Nobel, Roald Hoffman. Na última aula, a professora apresentará Justus von Liebig, importante químico alemão do século XIX que possui uma conexão com a América do Sul.

Fernanda Tourinho com participação de Catherine Mainart na elaboração da reportagem



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  • ComentriosComentar Notcia
    HPpA0AuwVCa
    01/03/2017 01:47
    If you're reading this, you're all set, panderr!
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