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26/11/2017 13:00
Crianças difíceis


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Iracema Bahia de Sena* (drairacema@clinicaenare.com.br)
 
Papais e mamães, relaxem! Nem tudo é da responsabilidade ou competência de vocês. Cada um de nós nasce com personalidade própria. Pais e orientadores devem conhecer a variedade de personalidades homeopáticas para saber administrar, orientar e apoiar suas crianças, principalmente se forem “difíceis”. 

Hipócrates, por muitos considerado o pai da medicina (460 a.C a 370 a.C), identificou quatro temperamentos: Melancólico, Fleumático, Sanguíneo e Colérico. Existem muitas outras classificações de personalidades. Isso porque filósofos, estudiosos e observadores, reconhecem que temos temperamentos distintos. Para que nossos filhos manifestem o melhor de si mesmos, resta-nos aceitá-los como são e tentar ajudá-los, em vez de reprimi-los.

A repressão e não aceitação de si mesmos fatalmente levará a ansiedades, pânico, neuroses, depressão e fobias, com todas suas consequências psicoemocionais.

{A proposta da Homeopatia é equilibrar e harmonizar os temperamentos. Jamais violentá-los.}

Cada pessoa responderá à sua maneira aos estímulos externos ou carências afetivas. Há pessoas que pedem atenção e colo de forma meiga e carinhosa, outras apenas esperam e outras pedem aos gritos e pontapés, isto se nota desde o nascimento. Em berçários, testemunhei bebês que tinham verdadeiros acessos de cólera, quando o colostro não saia do seio materno nas primeiras mamadas, batendo a cabeça violentamente contra a mama como um bezerrinho, se contorcendo e gritando em alto e bom som, depois recusando terminantemente o seio materno. 

As personalidades poderão se apresentar sob diversos “graus”, desde os mais leves que não machucam a si nem aos outros, até os mais graves. Tive um paciente de 1 ano e 6 meses, que a mãe não podia controlar quando suas vontades não eram atendidas. Explodia e ficava furioso, avançava nas pessoas e mordia, jogava objetos como se estivesse “tomada” ou fora de si. A mãe relatou que se a criança fosse impedida de jogar as coisas ou socar, batia com a cabeça no chão, puxava os cabelos e dava fortes mordidas. 

{Era forte e corpulenta, com extremidades frias e cabeça mais quente.} 

Mães relatam que estas crianças ficam vermelhas como pimentão quando apresentam febre, podendo em estado febril, apresentar alterações de consciência. Apesar da agressividade e rompante de destruir tudo à sua frente, estas crianças têm boa índole, embora possam ter hábitos de roubar pequenos objetos ou brinquedos dos irmãos e amiguinhos. 

Apesar de confiarem na sua força e valentia, quando maiores, têm muito medo do sobrenatural e se impressionam com desenhos na TV e contos de fadas, principalmente quando a bruxa aparece. 

Passam noites em claro com medo de mula sem cabeça, fantasmas e demônios. Sonham com monstros e podem ter pesadelos, com grande agitação. São conhecidas como “Anjos exterminadores” devido sua boa índole contrastar com tal agressividade. 

Há outra personalidade “inquieta”, cuja família precisa usar de toda energia para acalmá-la. Seu humor é detestável, cheia de vontades e caprichos, furiosa quando não atendida, só dorme no colo sendo embalada e chacoalhada. Enquanto outras crianças se acalmam com músicas de ninar, essa piora sua agitação pela música, principalmente se for música alta. 

A família refere que muitas vezes o pai reveza a noite com a mãe numa vigília, mexendo o carrinho ou carregando-a ao colo andando de lá para cá. Nenhuma posição lhe agrada porque necessita do movimento. Quando os pais não conseguem fazê-la dormir e acalmar-se, são obrigados a dar voltas de carro no quarteirão, para que sossegue. É comum apresentar transtornos por dentição, cólicas, muitos gases e abdômen distendido. Fezes podem ser esverdeadas, com odor de ovo podre. 

Tive outro pacientezinho de 4 anos que não deixava nada sobre a mesa no consultório e fui obrigada a interferir, porque a vovó dizia que não conseguia controlá-lo. Enquanto ela continha sua mão direita, ele soltava a esquerda achando graça por dominar literalmente a situação. 

Ela o agarrava de novo, ele jogava os pés sobre a mesa, mais parecia uma luta de jiu jitsu ou algo do gênero. Delicadamente, mas com firmeza, segurei numa de suas mãozinhas, olhei séria nos seus olhos e disse gentil e energicamente: Nesta mesa você não pode pegar em nada, porque é o brinquedo da tia”. Ele aceitou tranquilamente o limite (embora um tanto quanto envergonhado, assim como a vovó) porque ali não era questão de temperamento, mas de indisciplina

Distinguir entre temperamento e indisciplina, como e quando interferir/conduzir a situação, é uma importante tarefa (e aprendizado) para os pais. Sugiro associar tratamento homeopático das crianças com apoio psicológico em alguns casos, muitas vezes para os pais. 

Já assisti crianças dóceis que se tornaram verdadeiros tiranos devido ao excesso de permissividade e falta de autoridade dos pais, assim como vi crianças com temperamentos de liderança e sem o menor grau de timidez, se tornarem tímidas e inseguras devido ao excesso de repressão. Independentemente do temperamento, o respeito e obediência aos pais deve ser observado, princípio básico para equilíbrio emocional da criança. 

As expressões mentais e físicas das personalidades homeopáticas raramente se apresentam de forma florida, podendo a criança apresentar aspectos de uma ou outra. Um sintoma ou peculiaridade apenas não determina a personalidade, exceto em algumas exceções. Faz-se necessário acompanhamento de perto e uma história bem cuidadosa e rica em detalhes, para que o médico homeopata tenha ferramentas suficientes para identificar qual o melhor tratamento para seu paciente pediátrico. 

Ao consultar seu filho, não esqueça de levar anotadas todas as peculiaridades do seu (sua) filho (a), mesmo que as ache sem importância.

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*Formada em Medicina pela Ufba em 1976, dedicou-se à pediatria e neonatologia por vários anos. Conheceu a homeopatia em 1988 e aprofundou-se nesses estudos, entendendo que cada indivíduo tem sua particularidade e individualidade e identificou-se com a máxima Hipocrática: “Não existem doenças, mas doentes”. 

Saiba mais sobre a autora em: clinicaenare.com.br/site


 



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