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25/02/2021 23:59
Novas medidas restritivas: saiba o que poderá funcionar na Bahia de sexta a segunda
Exceção é para deslocamentos por motivos de saúde ou que fique comprovada a urgência

Redação CM 0 comentário          

Com o aumento significativo da procura por atendimentos nas UPAs e elevação da taxa de ocupação dos leitos de UTI, a Prefeitura de Salvador e o Governo do Estado da Bahia vão adotar medidas restritivas conjuntas para frear o avanço da pandemia do novo coronavírus. A medida terá início gradual às 17h de sexta, com o fechamento do comércio de rua. Às 18h, bares e restaurantes com atendimento presencial devem fechar e, às 19h, os shoppings, galerias e demais centros comerciais. A exceção é para deslocamentos por motivos de saúde ou que fique comprovada a urgência. 

Os detalhes foram apresentados quinta-feira (25) pelo prefeito Bruno Reis e pelo governador Rui Costa, em coletiva virtual à imprensa. O presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Eures Ribeiro, também marcou presença na transmissão. Conforme decreto publicado pelo governo estadual, no final de semana só estarão autorizados a funcionar estabelecimentos que prestam serviços relacionados à saúde pública.  

Bruno Reis destacou que a decisão de determinar o fechamento das atividades não essenciais é fruto de diálogo entre estado, município e segmentos comerciais. “Ontem (24), liguei para o governador após conversa com todos os prefeitos da Região Metropolitana. Tive essa iniciativa para mostrar a gravidade do momento que estamos enfrentando. Aqui em Salvador, os números de ocupação das UPAs, nas últimas 24h, superam o dobro do pico da primeira onda. Foram regulados 66 pacientes e há mais 67 aguardando vacância para serem transferidos”, afirmou.  

Funcionamento – A suspensão das atividades não essenciais ocorrerá de forma escalonada para facilitar o escoamento dos trabalhadores e evitar superlotação no transporte público. Sendo assim, o comércio de rua fechará uma hora mais cedo: às 17h. Às 18h, será a vez dos bares e restaurantes interromperem o funcionamento. Já os shoppings e centros comerciais deverão encerrar as operações às 20h. 

Além disso, nenhuma atividade coletiva de esporte poderá ser realizada. Neste final de semana, também estará proibida a comercialização de bebidas alcoólicas em qualquer estabelecimento da cidade, incluindo os mercados. As medidas serão monitoradas por policiais militares, civis, guardas municipais e agentes de fiscalização. 


Ainda segundo o decreto, podem funcionar normalmente os terminais rodoviários, metroviários, aquaviários e aeroviários; os serviços de limpeza pública e manutenção urbana; delivery de farmácia e atividades profissionais de transporte de privado de passageiros. Cirurgias eletivas em hospitais privados também estão suspensas a fim de ampliar os leitos de UTI para pacientes de Covid-19.


Transporte - Ônibus metropolitanos e o metrô deverão encerrar suas operações das 20h30 às 5h, de sexta (26) a segunda (1º). Já o transporte aquaviário metropolitano (ferry-boat e lanchinhas) funciona até a sexta (26), às 20h30, e retoma a operação somente na segunda (1º) a partir das 5h; portanto, não funciona no sábado (27) e domingo (28). Os ônibus intermunicipais poderão circular normalmente.
Estão autorizados os serviços necessários ao funcionamento de indústrias, do setor eletroenergético e dos centros de distribuição, bem como o deslocamento dos seus trabalhadores. 

Esforço – O prefeito e o governador esclareceram que a restrição faz parte de mais uma ação para tentar conter o avanço da Covid-19, diante do atual cenário epidemiológico na capital baiana e em toda a Bahia. Apesar dos esforços para ampliar a quantidade de vagas para tratamento de infectados com a doença, o sistema de saúde baiano, tanto rede pública quanto particular, tem sido pressionado em função do volume de pacientes que necessitam de internação em leitos hospitalares. 

No auge da primeira onda, comparou Bruno Reis, Salvador chegou a contabilizar 64 pacientes regulados ou a regular. “Também conversei com a classe empresarial, como representantes da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Bahia (Fecomércio) e da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) para explicar a gravidade da pandemia na cidade e eles entenderam a necessidade de avançarmos nas medidas de isolamento social”, completou o prefeito de Salvador. 

O governador Rui Costa assegurou que, caso os números da Covid-19 continuem piorando, existe a possiblidade de o estado decretar a suspensão total do comércio (o chamado lockdown) ou ampliar ainda mais as medidas de isolamento social. “Isso vai depender do quadro de demanda nas UPAs e hospitais. É preciso conter a contaminação. Não tem como abrir leitos na mesma medida em que a quantidade de contaminados cresce”, enfatizou.  

Ele deu exemplo de potências mundiais como a Alemanha, que mesmo tendo o maior número de leitos de UTI proporcional à população, decretou o lockdown. 

Vacinação – O prefeito reforçou que a campanha de vacinação contra a Covid-19 não será afetada com a restrição das atividades não essenciais na cidade. A imunização foi retomada nesta quinta (25), após a chegada ontem (24) de quase 30 mil doses de Oxford, tendo como público-alvo idosos acima de 80 anos e profissionais de saúde.  “Estamos na expectativa da chegada de mais doses. Temos protocolos assinados com Pfizer, Oxford e Sinovac. Com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e aprovação do projeto de lei que tramita no Senado, que permite que estados e municípios comprem vacinas, podemos adquirir mais doses e facilitar essa relação de aquisição”, destacou Bruno Reis.   



Já Rui Costa, afirmou que continua buscando vacinas para o estado, de forma independente do Governo Federal, com base na medida do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou estados e municípios a comprar e a distribuir vacinas contra a Covid-19, caso o Governo Federal não cumpra o Plano Nacional de Imunização ou caso as doses previstas no documento sejam insuficientes.

“Sabemos que a única maneira de vencermos o vírus é a vacinação de uma grande quantidade de pessoas. Por isso, hoje [quinta, 25], eu tive uma reunião com o laboratório Pfizer e solicitei que a Procuradoria Geral do Estado negocie os termos com a assessoria jurídica da empresa. Amanhã [sexta, 26] terei uma nova reunião com o Fundo Soberano Russo e vamos discutir a possibilidade de retomar as negociações iniciadas num momento que ainda não tínhamos a decisão judicial que hoje temos. Também estamos em contato com a Embaixada da China sobre a compra de duas outras vacinas que já possuem autorização definitiva lá”, concluiu.


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